MONTE CASTELO

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Depois de assistir ao filme “Somos tão jovens” do cineasta Antonio Carlos de Fontoura, voltei ao tempo da Universidade Mogi das Cruzes, onde me formei em Letras, e recordei de um trabalho que fizemos sobre a música “Monte Castelo” de Renato Russo, e uma das questões, era sobre o nome do título da música. Por que Monte Castelo? Bem depois de muitas discussões, naquele dia, não conseguimos chegar a um consenso. Passei o dia seguinte pensando e refletindo sobre o título, tinha ouvido muito sobre a intertextualidade do amor puro a Deus tirado de uma carta apostólica da Bíblia e a do amor homem-mulher extraído de um poema de Camões e até mesmo que o título viria de uma homenagem ao avô que havia servido na Segunda Guerra Mundial e lutado na Itália, exatamente na tomada do Monte Castelo. Mas não era isso que eu enxergava naquele título, nos versos havia muito mais que isso, mais íntimo do que se imaginava ou se ouvia, então criei coragem e deixei escapar dentro da sala de aula, a minha impressão, confirmada ontem depois de assistir ao filme. Monte Castelo é um vocativo. É sobre montar um castelo em torno do sentimento de amor. Ele pedia para que se montasse um castelo e não se deixasse ser invadido por estranhos aos seus sentimentos homossexuais, que interferissem nas suas dúvidas entre meninos e meninas. Na época consegui explicar que em suas primeiras estrofes ele demonstrava essa analogia entre a pureza e o pecado. Depois ele demonstra a solidão da incompreensão da sociedade que o remete a um castelo para se isolar. Em seguida fecha os portões e levanta a ponte levadiça com dois versos “É um estar-se preso por vontade / É servir a quem vence o vencedor”, o castelo é um lugar para se proteger de um inimigo e na Idade Média o vassalo sempre serve ao suserano.

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